Avaliação em Contextos de eLearning · UAb · 2025–2026
Uma navegação académica pelos territórios da avaliação em eLearning, traçada entre constelações de conhecimento e portos de aprendizagem
Prólogo
Este Diário de Bordo regista a travessia académica realizada ao longo da unidade curricular Avaliação em Contextos de eLearning da Universidade Aberta, durante o ano letivo 2025–2026. À semelhança de quem navega por mares desconhecidos com uma carta náutica na mão, cada tema foi uma nova escala numa rota que, ao completar-se, ganhou sentido como um todo.
O blog Mestr-IA serviu de logbook desta jornada: um espaço onde cada aprendizagem foi registada, questionada e partilhada com a comunidade académica. Os quatro posts publicados ao longo do semestre constituem as coordenadas principais desta navegação e são a substância viva deste diário.
Navegar em eLearning exige as mesmas competências de quem explora territórios desconhecidos: autonomia para traçar a rota, literacia crítica para ler os sinais e responsabilidade para assumir as decisões tomadas ao longo do caminho.
Visitar o Blog Mestr-IADados da Navegação
Registo audiovisual
Uma breve apresentação visual desta travessia pelas aprendizagens,
pelas escalas e pelas reflexões construídas ao longo da unidade curricular.
Diário de Bordo · Avaliação em Contextos de eLearning
Carta Celeste
Quatro estrelas, uma rota. Cada tema iluminou uma coordenada diferente do universo da avaliação em eLearning.
Março–Abril de 2026
Estado da Arte da Avaliação em eLearning
A primeira escala desta viagem começou com um desafio metodológico: usar a inteligência artificial generativa como ponto de partida para explorar o estado da arte da avaliação pedagógica em eLearning. Trabalhando em par com Raquel Santos, utilizámos o Claude Sonnet 4.6 Thinking para obter uma síntese inicial, que comparámos criticamente com dois artigos científicos rigorosamente selecionados.
A IA revelou um panorama coerente: a transição de paradigmas sumativos para abordagens formativas, os desafios da autenticidade em ambientes digitais, a integridade académica, mas simplificou sistematicamente as tensões éticas mais complexas. Onde Swiecki et al. (2022) alertam para vieses algorítmicos e opacidade dos sistemas de decisão automatizada, a IA apresentou soluções técnicas. Onde Oliveira e Pereira (2021) exigem uma reconceptualização do papel do professor, a IA ficou pela superfície.
"Este exercício revelou-se um exemplo concreto de como a literacia crítica face à IA é indispensável em contextos académicos."
— Reflexão crítica, Atividade 1, março 2026Coordenadas de Aprendizagem
Dificuldade navegada
Distinguir, no produto da IA, entre aquilo que estava correto e bem fundamentado e aquilo que era apenas plausível. Aprendi que a aparência de autoridade não é equivalente à autoridade académica. Uma descoberta simples, mas com implicações profundas para a prática pedagógica.
Março–Maio de 2026
A Avaliação na Educação Online
A segunda escala mergulhou na obra de Conrad e Openo: um convite a repensar a avaliação como parte integrante do processo de aprendizagem, não como o seu ponto final. Em grupo com Marta Coutinho, Paula Bugalho e Raquel Santos, redigimos o Capítulo 4 de um Guia de Boas Práticas sobre autoavaliação e encerramento no ensino superior online.
O conceito que mais me marcou foi o de avaliação autêntica como processo: não é a tarefa que parece real que garante autenticidade, mas a forma como o estudante é desafiado a apropriar-se do conhecimento. A autoavaliação, percebemos, só tem valor formativo quando enquadrada em critérios claros, ambiente construtivista e acompanhamento docente efetivo. Sem esse enquadramento, é apenas burocracia reflexiva.
"Avaliar, nesta perspetiva, é também aprender. A autoavaliação é o lado mais honesto da aprendizagem e obriga a olhar para o próprio trabalho sem o filtro da nota."
— Capítulo 4 do Guia de Boas Práticas, abril 2026Coordenadas de Aprendizagem
Dificuldade navegada
A coordenação colaborativa à distância numa atividade que exigia leitura densa e escrita coletiva rigorosa. A gestão do tempo assíncrono e a manutenção de uma voz académica coerente entre quatro autores foram os maiores desafios desta escala.
Maio de 2026
Reconfigurar a Avaliação no Ensino Superior
Esta foi a escala mais desafiante e, por isso, a mais transformadora. O ensaio individual "Integridade e IA: Reconfigurar a avaliação no ensino superior entre autenticidade, transparência e responsabilidade" obrigou-me a enfrentar uma questão incómoda: a resposta à IA generativa não pode ser apenas a deteção de fraude. Tem de ser um redesenho pedagógico profundo.
Recorrendo a Felix e Webb (2024), Kofinas et al. (2025), Miao e Holmes (2023) e ao Modelo Pedagógico da UAb (Casanova et al., 2026), argumentei que a IA expôs fragilidades que já existiam em modelos de avaliação centrados no produto final. A resposta mais robusta passa por tornar o processo visível: evidências intermédias, declaração de uso de IA, literacia académica e responsabilidade partilhada entre estudantes, docentes e instituições.
"A pergunta decisiva deixa de ser 'como impedir o uso indevido da IA?' e passa a ser: 'como desenhar avaliações que obriguem o estudante a pensar, decidir, justificar e assumir autoria sobre o que apresenta?'"
— Ensaio Crítico, maio 2026Coordenadas de Aprendizagem
Dificuldade navegada
A tensão entre usar a IA como parceira instrumental do trabalho e preservar a integridade da autoria intelectual. Resolver esta tensão (declarando cada uso, verificando cada referência, decidindo cada estrutura argumentativa) foi a aprendizagem mais duradoura desta travessia.
Junho–Julho de 2026
Modelos e Desenho de Avaliação em eLearning
A última escala foi também a mais construtiva: aplicar, de forma prática, tudo o que as escalas anteriores tinham ensinado. Em par com Raquel Santos, desenvolvemos um plano de avaliação completo para um módulo de formação em eLearning sobre conceção de recursos digitais com apoio de IA, mobilizando o Modelo PrACT, a avaliação autêntica, o feedback estruturado e rubricas rigorosas.
O plano integra quatro momentos avaliativos articulados sistemicamente: diagnóstica, formativa contínua, autoavaliação e coavaliação, e avaliação autêntica do produto final. O eixo transversal é a integração crítica e ética da IA. Construir esta arquitetura deixou claro que a avaliação não é uma sequência de momentos isolados, é um sistema coerente onde cada componente regula e alimenta os restantes.
"A avaliação é entendida como parte integrante da aprendizagem, com critérios transparentes e pedagogicamente sustentáveis. A integração crítica e ética da IA constitui um eixo transversal do módulo e da sua avaliação."
— Plano de Avaliação, junho–julho 2026Coordenadas de Aprendizagem
Dificuldade navegada
A ambição de conceber um plano completo, rigoroso e aplicável sem cair na tentação da complexidade pela complexidade. Manter o foco nos princípios (transparência, equidade, autenticidade, sustentabilidade) foi o que deu coerência a um documento necessariamente extenso.
Reflexão Final
As aprendizagens construídas ao longo desta UC e as suas implicações para a prática pedagógica
Ao longo desta unidade curricular, percorri quatro territórios distintos do mesmo continente: a avaliação em eLearning. Cada escala revelou uma face diferente de um problema comum: como criar condições para que a aprendizagem aconteça de forma genuína, visível e verificável em contextos mediados pelo digital.
A primeira escala ensinou-me a olhar para a IA com rigor crítico. Nem como oráculo, nem como ameaça, mas como ferramenta cuja utilidade depende inteiramente da literacia de quem a usa. A segunda escala ensinou-me que a autoavaliação, quando bem enquadrada, é o ato mais honesto da aprendizagem: obriga o estudante a confrontar o seu percurso sem o amortecedor da nota do professor. A terceira escala foi a mais exigente. Defender, num ensaio individual, que a resposta à IA tem de ser pedagógica, não policial. A quarta escala traduziu esse argumento em arquitetura: um plano de avaliação onde cada decisão tem fundamento teórico, cada critério é visível e cada momento formativo serve um propósito claro.
O que estas quatro escalas partilham é uma convicção crescente: a avaliação é uma relação antes de ser um instrumento. Quando o estudante compreende o que está a ser avaliado e porquê, quando o docente cria condições para que o processo seja demonstrável, quando a instituição define orientações claras e equitativas: a avaliação deixa de ser algo que acontece ao estudante e passa a ser algo de que este participa ativamente.
Para a minha prática pedagógica, a implicação mais duradoura é esta: não posso mais conceber uma atividade de avaliação sem me perguntar o que ela torna visível sobre a aprendizagem. Se a resposta for "pouco" ou "apenas o produto final", preciso de redesenhar. Esta é a pergunta que o farol ilumina e que esta UC me ofereceu como bússola permanente.
"O farol não é o destino; é o convite a continuar a navegar. A avaliação autêntica não termina com a classificação, completa-se com a consciência do saber e com o destino traçado pelo aprendente."
— Reflexão Final · ACeL 2025–2026Balanço de Navegação
Avaliação reflexiva do percurso realizado, com base nos critérios do Contrato de Aprendizagem
| Critério | Justificação | Proposta |
|---|---|---|
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Realização das Atividades
Máximo: 6 valores
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Todas as quatro atividades foram concluídas com elevado rigor académico.
A Atividade 1 (debate a pares com análise crítica de IA e literatura científica),
a Atividade 2 (Capítulo 4 do Guia de Boas Práticas, em grupo),
a Atividade 3 (ensaio individual de 9 páginas com 15+ referências verificadas)
e a Atividade 4 (plano de avaliação de 55 páginas, a pares) revelam adequabilidade,
qualidade conceptual e clareza de escrita consistentemente elevadas.
O Tema 3 e o Tema 4 vão significativamente além do solicitado.
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6
em 6 valores
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Participação nos Fóruns
Máximo: 6 valores
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A participação nos fóruns de discussão foi regular, fundamentada e pertinente,
respeitando os prazos e dialogando com as contribuições dos colegas.
As atividades de debate (Temas 1 e 3) exigiram contribuições argumentadas
com rigor científico. A frequência e qualidade das intervenções foram
consistentes ao longo do semestre, com recurso sistemático a referências APA.
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5
em 6 valores
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Diário de Bordo
Máximo: 4 valores
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O Diário integra registos reflexivos de todas as atividades, análise crítica
relacionando experiências com conceitos teóricos (PrACT, avaliação autêntica,
literacia de IA) e uma reflexão final sobre implicações para a prática pedagógica.
O blog Mestr-IA foi construído progressivamente, com quatro posts publicados
nos momentos adequados. O dispositivo digital apresentado articula coerência,
estética e rigor académico.
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4
em 4 valores
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Autoavaliação e Avaliação dos Pares
Máximo: 4 valores
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A autoavaliação é exercida com honestidade e fundamentação, reconhecendo
pontos fortes (qualidade dos trabalhos, rigor bibliográfico, literacia de IA)
e limites (dificuldades na coordenação colaborativa assíncrona, tensão entre
produtividade e profundidade). A avaliação dos pares foi realizada com critérios
explícitos e postura construtiva ao longo do semestre.
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4
em 4 valores
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Proposta de Classificação Final
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19
em 20 valores
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Nota justificativa: A proposta de 19 valores reflete um percurso de envolvimento genuíno, rigor académico crescente e comprometimento com as aprendizagens propostas. A participação nos fóruns foi consistentemente pertinente e fundamentada.