Avaliação em Contextos de eLearning · UAb · 2025–2026

Diário de
Bordo

Uma navegação académica pelos territórios da avaliação em eLearning, traçada entre constelações de conhecimento e portos de aprendizagem

Sérgio Manuel do Carmo Trigo  ·  n.º 1902536  ·  Blog: mestr-ia.sergiotrigo.net

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Uma pausa antes da rota final

Uma breve apresentação visual desta travessia pelas aprendizagens,
pelas escalas e pelas reflexões construídas ao longo da unidade curricular.

Diário de Bordo · Avaliação em Contextos de eLearning

A Constelação das Aprendizagens

Quatro estrelas, uma rota. Cada tema iluminou uma coordenada diferente do universo da avaliação em eLearning.

I
IA como Espelho Crítico
Avaliação pedagógica em eLearning: a IA como ponto de partida e a literatura como bússola de validação.
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II
Avaliar Não é Fechar
Autoavaliação, Conrad & Openo, e a construção coletiva de um Guia de Boas Práticas.
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III
Integridade, IA e Avaliação
Ensaio individual sobre como reconfigurar a avaliação no ensino superior face à IA generativa.
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IV
Avaliar para Aprender
Modelo PrACT aplicado: um plano de avaliação completo para eLearning com rubricas e feedback.
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Escala I Tema 1

Março–Abril de 2026

IA como
Espelho Crítico

Estado da Arte da Avaliação em eLearning

IA como Espelho Crítico
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IA Generativa Literacia Crítica Avaliação Formativa Trabalho a Pares

A primeira escala desta viagem começou com um desafio metodológico: usar a inteligência artificial generativa como ponto de partida para explorar o estado da arte da avaliação pedagógica em eLearning. Trabalhando em par com Raquel Santos, utilizámos o Claude Sonnet 4.6 Thinking para obter uma síntese inicial, que comparámos criticamente com dois artigos científicos rigorosamente selecionados.

A IA revelou um panorama coerente: a transição de paradigmas sumativos para abordagens formativas, os desafios da autenticidade em ambientes digitais, a integridade académica, mas simplificou sistematicamente as tensões éticas mais complexas. Onde Swiecki et al. (2022) alertam para vieses algorítmicos e opacidade dos sistemas de decisão automatizada, a IA apresentou soluções técnicas. Onde Oliveira e Pereira (2021) exigem uma reconceptualização do papel do professor, a IA ficou pela superfície.

"Este exercício revelou-se um exemplo concreto de como a literacia crítica face à IA é indispensável em contextos académicos."

— Reflexão crítica, Atividade 1, março 2026

Coordenadas de Aprendizagem

  • A IA confirma, mas não aprofunda: coerente com o estado da arte, mas incapaz de problematizar as tensões estruturais que a literatura científica expõe.
  • Fluência textual ≠ rigor conceptual: a principal armadilha das ferramentas generativas é a sua aparência de conhecimento sem a rastreabilidade das fontes.
  • A literacia de IA é uma competência académica: não basta saber usar; é necessário saber validar, confrontar e limitar o que a ferramenta devolve.

Dificuldade navegada

Distinguir, no produto da IA, entre aquilo que estava correto e bem fundamentado e aquilo que era apenas plausível. Aprendi que a aparência de autoridade não é equivalente à autoridade académica. Uma descoberta simples, mas com implicações profundas para a prática pedagógica.

Escala II Tema 2

Março–Maio de 2026

Avaliar
Não é Fechar

A Avaliação na Educação Online

Avaliar Não é Fechar
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Autoavaliação Conrad & Openo Avaliação Autêntica Trabalho de Grupo

A segunda escala mergulhou na obra de Conrad e Openo: um convite a repensar a avaliação como parte integrante do processo de aprendizagem, não como o seu ponto final. Em grupo com Marta Coutinho, Paula Bugalho e Raquel Santos, redigimos o Capítulo 4 de um Guia de Boas Práticas sobre autoavaliação e encerramento no ensino superior online.

O conceito que mais me marcou foi o de avaliação autêntica como processo: não é a tarefa que parece real que garante autenticidade, mas a forma como o estudante é desafiado a apropriar-se do conhecimento. A autoavaliação, percebemos, só tem valor formativo quando enquadrada em critérios claros, ambiente construtivista e acompanhamento docente efetivo. Sem esse enquadramento, é apenas burocracia reflexiva.

"Avaliar, nesta perspetiva, é também aprender. A autoavaliação é o lado mais honesto da aprendizagem e obriga a olhar para o próprio trabalho sem o filtro da nota."

— Capítulo 4 do Guia de Boas Práticas, abril 2026

Coordenadas de Aprendizagem

  • Autoavaliação ≠ autoclassificação: o valor formativo supera largamente o classificativo; usar a autoavaliação como único instrumento de nota é pedagogicamente inadequado.
  • O ambiente determina a eficácia: critérios explícitos, orientação docente e feedback fecham o ciclo da reflexão; sem isso, o exercício é vazio.
  • A IA introduz uma nova tensão: pode apoiar a autorreflexão, mas também pode substituí-la. O desafio é orientar, não proibir.

Dificuldade navegada

A coordenação colaborativa à distância numa atividade que exigia leitura densa e escrita coletiva rigorosa. A gestão do tempo assíncrono e a manutenção de uma voz académica coerente entre quatro autores foram os maiores desafios desta escala.

Escala III Tema 3

Maio de 2026

Integridade,
IA e Avaliação

Reconfigurar a Avaliação no Ensino Superior

Integridade, IA e Avaliação
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Integridade Académica Redesenho Avaliativo Ensaio Individual Literacia de IA

Esta foi a escala mais desafiante e, por isso, a mais transformadora. O ensaio individual "Integridade e IA: Reconfigurar a avaliação no ensino superior entre autenticidade, transparência e responsabilidade" obrigou-me a enfrentar uma questão incómoda: a resposta à IA generativa não pode ser apenas a deteção de fraude. Tem de ser um redesenho pedagógico profundo.

Recorrendo a Felix e Webb (2024), Kofinas et al. (2025), Miao e Holmes (2023) e ao Modelo Pedagógico da UAb (Casanova et al., 2026), argumentei que a IA expôs fragilidades que já existiam em modelos de avaliação centrados no produto final. A resposta mais robusta passa por tornar o processo visível: evidências intermédias, declaração de uso de IA, literacia académica e responsabilidade partilhada entre estudantes, docentes e instituições.

"A pergunta decisiva deixa de ser 'como impedir o uso indevido da IA?' e passa a ser: 'como desenhar avaliações que obriguem o estudante a pensar, decidir, justificar e assumir autoria sobre o que apresenta?'"

— Ensaio Crítico, maio 2026

Coordenadas de Aprendizagem

  • Integridade é desenho avaliativo: quando a tarefa permite delegação integral numa ferramenta, a fragilidade está na tarefa, não apenas no comportamento do estudante.
  • A literacia de IA é curricular: ensinar usos aceitáveis, usos condicionados e usos indevidos deve integrar o currículo académico contemporâneo.
  • Vigilância ≠ qualidade pedagógica: uma cultura de suspeição permanente enfraquece a dimensão formativa da avaliação e degrada a relação pedagógica.

Dificuldade navegada

A tensão entre usar a IA como parceira instrumental do trabalho e preservar a integridade da autoria intelectual. Resolver esta tensão (declarando cada uso, verificando cada referência, decidindo cada estrutura argumentativa) foi a aprendizagem mais duradoura desta travessia.

Escala IV Tema 4

Junho–Julho de 2026

Avaliar
para Aprender

Modelos e Desenho de Avaliação em eLearning

Avaliar para Aprender
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Modelo PrACT Rubricas Feedback Trabalho a Pares

A última escala foi também a mais construtiva: aplicar, de forma prática, tudo o que as escalas anteriores tinham ensinado. Em par com Raquel Santos, desenvolvemos um plano de avaliação completo para um módulo de formação em eLearning sobre conceção de recursos digitais com apoio de IA, mobilizando o Modelo PrACT, a avaliação autêntica, o feedback estruturado e rubricas rigorosas.

O plano integra quatro momentos avaliativos articulados sistemicamente: diagnóstica, formativa contínua, autoavaliação e coavaliação, e avaliação autêntica do produto final. O eixo transversal é a integração crítica e ética da IA. Construir esta arquitetura deixou claro que a avaliação não é uma sequência de momentos isolados, é um sistema coerente onde cada componente regula e alimenta os restantes.

"A avaliação é entendida como parte integrante da aprendizagem, com critérios transparentes e pedagogicamente sustentáveis. A integração crítica e ética da IA constitui um eixo transversal do módulo e da sua avaliação."

— Plano de Avaliação, junho–julho 2026

Coordenadas de Aprendizagem

  • A avaliação é um sistema, não uma sequência: cada momento avaliativo alimenta os seguintes; sem articulação sistémica, perde coerência e credibilidade.
  • Rubricas são linguagem partilhada: não servem para controlar, servem para tornar os critérios visíveis, negociáveis e pedagogicamente justos para todos os atores.
  • O feedback é regulação, não resposta: feedback eficaz não avalia o passado; orienta e abre caminhos para o futuro da aprendizagem.

Dificuldade navegada

A ambição de conceber um plano completo, rigoroso e aplicável sem cair na tentação da complexidade pela complexidade. Manter o foco nos princípios (transparência, equidade, autenticidade, sustentabilidade) foi o que deu coerência a um documento necessariamente extenso.

O Farol no Horizonte

As aprendizagens construídas ao longo desta UC e as suas implicações para a prática pedagógica

🧭
O que aprendi sobre IA
A IA generativa não é uma ameaça externa à universidade: é um espelho que expõe as fragilidades dos modelos de avaliação que sempre existiram, mas que antes conseguiam ficar ocultas.
O que aprendi sobre avaliação
Avaliar não é fechar, é abrir. A avaliação autêntica, formativa e sustentável é aquela que torna o processo de aprendizagem visível, negociável e significativo para todos os atores.
🌟
O que levo para a prática
O desenho avaliativo é um ato pedagógico e político. As escolhas que faço sobre como avaliar revelam o que realmente valorizo e comprometem-me com aquilo que defendo.

Ao longo desta unidade curricular, percorri quatro territórios distintos do mesmo continente: a avaliação em eLearning. Cada escala revelou uma face diferente de um problema comum: como criar condições para que a aprendizagem aconteça de forma genuína, visível e verificável em contextos mediados pelo digital.

A primeira escala ensinou-me a olhar para a IA com rigor crítico. Nem como oráculo, nem como ameaça, mas como ferramenta cuja utilidade depende inteiramente da literacia de quem a usa. A segunda escala ensinou-me que a autoavaliação, quando bem enquadrada, é o ato mais honesto da aprendizagem: obriga o estudante a confrontar o seu percurso sem o amortecedor da nota do professor. A terceira escala foi a mais exigente. Defender, num ensaio individual, que a resposta à IA tem de ser pedagógica, não policial. A quarta escala traduziu esse argumento em arquitetura: um plano de avaliação onde cada decisão tem fundamento teórico, cada critério é visível e cada momento formativo serve um propósito claro.

O que estas quatro escalas partilham é uma convicção crescente: a avaliação é uma relação antes de ser um instrumento. Quando o estudante compreende o que está a ser avaliado e porquê, quando o docente cria condições para que o processo seja demonstrável, quando a instituição define orientações claras e equitativas: a avaliação deixa de ser algo que acontece ao estudante e passa a ser algo de que este participa ativamente.

Para a minha prática pedagógica, a implicação mais duradoura é esta: não posso mais conceber uma atividade de avaliação sem me perguntar o que ela torna visível sobre a aprendizagem. Se a resposta for "pouco" ou "apenas o produto final", preciso de redesenhar. Esta é a pergunta que o farol ilumina e que esta UC me ofereceu como bússola permanente.

"O farol não é o destino; é o convite a continuar a navegar. A avaliação autêntica não termina com a classificação, completa-se com a consciência do saber e com o destino traçado pelo aprendente."

— Reflexão Final · ACeL 2025–2026

Autoavaliação

Avaliação reflexiva do percurso realizado, com base nos critérios do Contrato de Aprendizagem

Critério Justificação Proposta
Realização das Atividades
Máximo: 6 valores
Todas as quatro atividades foram concluídas com elevado rigor académico. A Atividade 1 (debate a pares com análise crítica de IA e literatura científica), a Atividade 2 (Capítulo 4 do Guia de Boas Práticas, em grupo), a Atividade 3 (ensaio individual de 9 páginas com 15+ referências verificadas) e a Atividade 4 (plano de avaliação de 55 páginas, a pares) revelam adequabilidade, qualidade conceptual e clareza de escrita consistentemente elevadas. O Tema 3 e o Tema 4 vão significativamente além do solicitado.
6 em 6 valores
Participação nos Fóruns
Máximo: 6 valores
A participação nos fóruns de discussão foi regular, fundamentada e pertinente, respeitando os prazos e dialogando com as contribuições dos colegas. As atividades de debate (Temas 1 e 3) exigiram contribuições argumentadas com rigor científico. A frequência e qualidade das intervenções foram consistentes ao longo do semestre, com recurso sistemático a referências APA.
5 em 6 valores
Diário de Bordo
Máximo: 4 valores
O Diário integra registos reflexivos de todas as atividades, análise crítica relacionando experiências com conceitos teóricos (PrACT, avaliação autêntica, literacia de IA) e uma reflexão final sobre implicações para a prática pedagógica. O blog Mestr-IA foi construído progressivamente, com quatro posts publicados nos momentos adequados. O dispositivo digital apresentado articula coerência, estética e rigor académico.
4 em 4 valores
Autoavaliação e Avaliação dos Pares
Máximo: 4 valores
A autoavaliação é exercida com honestidade e fundamentação, reconhecendo pontos fortes (qualidade dos trabalhos, rigor bibliográfico, literacia de IA) e limites (dificuldades na coordenação colaborativa assíncrona, tensão entre produtividade e profundidade). A avaliação dos pares foi realizada com critérios explícitos e postura construtiva ao longo do semestre.
4 em 4 valores
Proposta de Classificação Final
19
em 20 valores

Nota justificativa: A proposta de 19 valores reflete um percurso de envolvimento genuíno, rigor académico crescente e comprometimento com as aprendizagens propostas. A participação nos fóruns foi consistentemente pertinente e fundamentada.